Toma de remédios por ‘ microchip’

Publicado em 21/02/2012

Dispositivo implantado no organismo e comandado à distância por médicos passou exame em ensaio clínico.

Tomar medicamentos sem falhas nem esquecimentos pode ser um problema para quem tem doenças crónicas que implicam tratamentos demorados e regulares, sobretudo se a isso se juntar a condição de idoso. Por isso, o desenvolvimento de um microchip que faça tudo (ou quase tudo) sozinho, sem o doente ter de se preocupar é o objetivo de vários grupos de investigação. Agora, investigadores norte-americanos deram mais um passo, com o desenvolvimento de um microchip que aplica as doses certas sem pré- programação.

Um ensaio clínico realizado na Dinamarca mostrou pela primeira vez que é possível controlar à distância um pequeno chip implantado no corpo para administrar regularmente um medicamento para a osteoporose. O dispositivo e os resultados dos testes foram publicados na revista Science Translationalmedicine.

Segundo os seus inventores, esta tecnologia não é exclusiva para a doença agora testada, mas pode ser aplicada a outras situações clínicas, como o cancro ou doenças crónicas de outro tipo.

Nos testes realizados na Dinamarca, no qual participaram sete mulheres com osteoporose, uma doença que se caracteriza pela perda progressiva de tecido ósseo, os investigadores demonstraram a vantagem do processo.

"Os doentes não terão de se lembrar de tomar o medicamento nem de se sujeitar a múltiplas injeções para tratar a osteoporose", explicou Robert Farra, responsável da MICROCHIPS, com sede em Massachusetts, nos Estados Unidos, que desenvolveu o microdispositivo eletrónico, em colaboração com investigadores do Massachusetts Institute oftechnology ( MIT), e das universidades de Harvard e de Case Western Reserve.

A grande novidade deste dispositivo é que, ao contrário dos sistemas pré- programados que vão libertando pequenas doses no organismo durante meses ou anos, este microchip é comandado à distância por um sistema de comunicação sem fios.

" O sistema permite libertar rapidamente o medicamento no sangue, como acontece com uma injeção", afirmou Robert Farra, sublinhando que " os médicos poderão ajustar à distância a terapia a aplicar aos doentes, servindo-se de um computador ou de um simples telemóvel".

As sete mulheres que participaram neste primeiro ensaio clínico tinham entre 65 e 70 anos, a quem foram implantados os microchips, com anestesia local. Neste ensaio, os pequenos chips continham 20 doses, mas os responsáveis afirmam que podem inserir centenas de doses no dispositivo.

 Diário de Notícias 2012-02-21

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