SNS deve 778 milhões a empresas de dispositivos Médicos

Publicado em 27/01/2012

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) deve 778 milhões de euros a empresas de dispositivos médicos.

Segundo a Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED), no quarto trimestre de 2011, verificou-se um agravamento para 455 dias da dívida das unidades do SNS às empresas suas associadas, o que corresponde a mais de um ano de fornecimentos a custo zero para o Estado e a um aumento de 19 dias em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano e 121 dias relativamente ao quarto trimestre de 2010.

A APORMED alerta ainda para o facto das dívidas dos hospitais às empresas de dispositivos médicos  terem subido para um valor estimado em 778 milhões de euros, face aos 746 milhões de euros registados no terceiro trimestre de 2011 e 572 milhões de euros no quarto trimestre de 2010.

Qualquer um destes valores exclui a dívida das Regiões Autónomas, cujo atraso, apenas no caso dos Serviços de Saúde da Madeira, ascende a 1081 dias.

“Tendo em consideração que os principais clientes deste sector são os hospitais públicos, a situação actual, mais agravada ainda pela falta de financiamento por parte do sistema bancário, é de grande preocupação.

A APORMED teme que, para além da probabilidade de ocorrência de situações complicadas de asfixia financeira, um maior número de empresas opte por recorrer ao débito de juros sobre os créditos em mora, como forma legal de minorar os seus gastos financeiros”, revela Humberto Costa, secretário-geral da APORMED.

O secretário-geral da associação recorda ainda que “o valor do IVA incluído nestes fornecimentos foi entretanto cobrado pelo Estado até ao décimo quinto dia do segundo mês seguinte ao da respectiva facturação, o que torna ainda mais difícil o impacto financeiro sobre o sector se confronta e pode, a curto prazo, pôr em causa a sobrevivência de algumas empresas e a manutenção de postos de trabalho.”

Correio da Manhã, 2012.01.27

 

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