Método usado há 30 anos para distribuir médicos de família precisa de actualização

Publicado em 31/01/2012

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar defendeu hoje que o método utilizado para distribuir os médicos de família precisa de ser actualizado, tendo em conta o número de doentes idosos e a localização dos centros de saúde.

«A maneira que tem sido usada, desde há 30 anos, para distribuir os médicos (um médico para 1.550 utentes) carece de alguma actualização, tendo em conta os doentes idosos e as unidades de saúde localizadas em regiões mais carenciadas, onde os recursos à saúde são mais difíceis devido à distância ou escassez causada pelo isolamento da baixa densidade populacional», disse o vice-presidente da associação, Rui Nogueira.

Os últimos dados oficiais apontam para a existência de 5.478 médicos de família nas unidades de saúde.

Um estudo da Administração Central do Sistema de Saúde, 'Actuais e futuras previsionais de médicos (SNS)' divulgado em Setembro passado refere que, de acordo com as necessidades decorrentes da aplicação do modelo de reforma dos cuidados primários, deveriam existir agora 6.533 médicos com a especialidade de Medicina Geral e Familiar.

«Encontrando-se o cenário da reforma baseado num rácio populacional, e prevendo-se a diminuição da população portuguesa», em 2020 serão necessários 6.444 especialistas, adianta o estudo

Mas, segundo as projecções efetuadas no âmbito do 'Modelo da Oferta', o sistema de formação instalado apenas terá capacidade de produzir 3.543 novos especialistas entre 2008 e 2020, o que produzirá um total de 6.130 especialistas no final do período, originando um défice estimado em 314 especialistas.

Para detetar «a necessidade de médicos nas diferentes realidades do país», a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar vai realizar um outro estudo sobre demografia médica que será divulgado em Março.

Com os censos 2011, constatou-se que «há um envelhecimento da população em geral, mas no interior do país está a ser bem maior do que no litoral», adiantou Rui Nogueira.

«Admitimos que a necessidade de médicos no interior, onde há população mais isolada, mais idosa e menos recursos de saúde, é maior do que nas unidades que se situam em regiões com mais recursos», disse o médico, adiantando que o estudo visa avaliar «as necessidades reais do país em termos de médicos de família».

Sobre uma eventual recusa dos médicos em irem para regiões isoladas, Rui Nogueira defendeu que os profissionais deveriam ser compensados pelo local onde vão exercer e pelo número de utentes.

«É uma questão que queremos levantar com os sindicatos», disse, defendendo que os profissionais devem ser remunerados «em função daquilo que são as necessidades e o esforço do seu trabalho, Ou seja, se os médicos têm mais doentes devem ser remunerados por isso».

A distribuição dos médicos também resolveria, «de alguma forma, a falta de médicos nalgumas regiões dos país e dava uma resposta à política do Ministério da Saúde, que nós contestamos, de contratação de médicos estrangeiros sem a especialidade de medicina geral e familiar».

O estudo pretende também avaliar a atribuição de unidades ponderadas em vez de contar as pessoas, admitindo que as pessoas mais velhas e as crianças dão mais trabalho e devem ter uma ponderação por isso mesmo, explicou.

Sol, 31.01.2012

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