Homenagem ao valente Jacinto Correia
Publicado em 27/01/2012
Na manhã de 25 de janeiro foi prestada homenagem a Jacinto Correia, no Jardim da Alameda, mesmo em frente do Quartel da Escola Prática de Infantaria, na Vila de Mafra. O novo Comandante da Unidade, Coronel João Pedro de Oliveira, e o Major-General José Inácio de Sousa colocaram um ramo de flores no monumento, erigido em honra do herói, que estava ladeado por dois militares fardados á época de 1810.
O Presidente da Direção do Clube dos Oficiais de Mafra, Major-General Inácio de Sousa, usou da palavra, de improviso, para homenagear Jacinto Correia que, naquele local, foi fuzilado, precisamente no dia 25 de janeiro de 1808, pelas tropas francesas, por ter sido acusado de matar dois soldados invasores. Consta que, depois do julgamento, terá dito: «Se todos os portugueses fossem como eu, não restaria um só invasor…» sendo estas, aliás, as palavras que podemos ler na lápide que está no Jardim da Alameda.
O HERÓI NASCEU NA LOURINHÃ
O historiador Pinheiro Chagas escreveu que Jacinto Correia era natural da Lourinhã, mas tinha residência em Mafra. Casou na Vila e teve dois filhos, que ainda eram crianças quando morreu. Trabalhava por conta dos frades do Convento, no Jardim do Cerco e na horta da Tapada.
Quando andaram por Mafra, as tropas comandadas pelo General Junot, o valente Jacinto Correia, ao regressar a sua casa, viu uma patrulha francesa, composta por dois soldados, que o assaltaram e lhe exigiram a entrega das frutas que trazia. Por ter resistido foi agredido, com violência, à coronhada, mas com enorme coragem conseguiu repelir a agressão, servindo-se da sua foice roçadoira, cortando as cabeças dos traiçoeiros assaltantes. Poucas horas depois foi preso e julgado em Conselho de Guerra.
Na manhã chuvosa de 25 de janeiro de 1808, no atual Jardim do Cerco, perante o pelotão de execução, encarou a morte com um sorriso e sempre a pensar em Portugal.
O Capelão da EPI, Tenente Paulo Silva, recitou algumas orações por alma de quem deu a vida pela pátria há precisamente 204 anos.
Foi uma cerimónia muito simples, mas repleta de significado, que só dignifica a Casa-Mãe da Infantaria, sendo presenciada pelo Vereador José Bizarro, da Câmara Municipal de Mafra; Diretor do Palácio Nacional de Mafra, Mário Pereira; 2º Comandante da EPI, Tenente-Coronel Rui Mendes Dias; Director de Formação Tenente-Coronel Luis Fernandes, em representação do comando do CMEFD; Major-General João Manuel Alpendrinho Alves; Luis Saldanha Lopes, Assessor de Cultura da Autarquia mafrense; Coronel Victor Manuel Vicente Fernandes e Capitão Jaime Leote Mendes, respetivamente, Vice - Presidente e Secretário do Clube Militar de Oficiais de Mafra; Gabriela Cordeiro, Conservadora do Palácio de Mafra, bem como outros convidados civis e militares.
Texto e fotos: Rogério Batalha