Gaspar impõe pagamento em dez anos à Madeira

Publicado em 27/01/2012

Alberto João Jardim perdeu o braço-de-ferro com Vítor Gaspar no pagamento a 25 anos do empréstimo a conceder à Madeira. O prazo nem no meio termo ficou: a região terá dez anos para devolver os cerca de dois mil milhões de euros que obteve de empréstimo.

Até ao último minuto, o ministro das Finanças não cedeu no período de pagamento que tinha definido, e que acompanha o prazo que Portugal acordou com a troika para o pagamento da dívida às instâncias internacionais. Em contrapartida, o Governo central baixou a taxa de juro indicada inicialmente, para os 3,5%.

O valor do empréstimo acordado na última quarta-feira – um pouco acima dos dois mil milhões – fica abaixo das necessidades da região para os próximos quatro anos. Segundo a Inspecção-Geral de Finanças, a Madeira precisará de 3,5 mil milhões de euros. Guilherme Silva, deputado do PSD eleito pelo círculo madeirense diz-se confiante que o valor acordado é suficiente, dado que as «necessidades financeiras não têm de ser imperativamente satisfeitas pela via dos empréstimos» – e se a «economia correr bem dispensará o recurso a qualquer outro empréstimo». José Manuel Rodrigues, líder do CDS/ Madeira, é menos optimista: «Daqui a um ano estaremos novamente a falar de problemas financeiros».

Após semanas de impasse, com Jardim a ameaçar não assinar o documento, o plano de ajustamento ficou fechado na última quarta-feira, numa reunião em São Bento que se prolongou por quase cinco horas, e onde estiveram Passos Coelho, Vítor Gaspar, Jardim e Ventura Garcês, o secretário das Finanças da Madeira.

O encontro fechou os termos do acordo, que será divulgado hoje, em conferência de imprensa, por Alberto João Jardim. O texto será assinado pelos responsáveis madeirenses. Só depois as Finanças definirão em concreto a forma do empréstimo que, apurou o SOL, se prolongará por quatro anos. Obtido o acordo, o líder do Governo Regional madeirense foi recebido em Belém por Cavaco Silva.

Sol, 2012.01.27

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